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Serviço Copernicus divulga relatório climático de 2025 e reforça cenário de aquecimento global com impacto no Brasil e no Cerrado

O relatório Global Climate Highlights 2025, do Copernicus, indica que 2025 foi o terceiro ano mais quente já registrado no planeta, com temperaturas muito acima das médias históricas, cenário confirmado no Brasil pelo INMET, que classificou 2025 como o sétimo ano mais quente da série nacional. No Cerrado e no Centro-Oeste, esse aquecimento reforça o aumento de eventos extremos, pressiona recursos hídricos e a produção agrícola e evidencia a importância do monitoramento climático contínuo, como o realizado pelo CEMPA-Cerrado, para subsidiar políticas de adaptação e mitigação.

O Copernicus Climate Change Service (C3S), programa europeu de monitoramento climático, lançou em janeiro de 2026 o relatório Global Climate Highlights 2025, um dos levantamentos mais abrangentes sobre as condições climáticas do planeta no último ano. O documento aponta que 2025 foi o terceiro ano mais quente já registrado globalmente, ficando apenas atrás de 2023 e de 2024, com temperatura média global significativamente acima das médias climáticas de referência de 1991–2020, e em torno de 1,47 °C acima dos níveis pré-industriais.

O relatório apresenta dados de temperaturas de superfície do ar acima da média em cerca de 91% da superfície terrestre, padrões de aquecimento tanto em regiões tropicais quanto nas zonas polares, além de anomalias persistentes nos oceanos e redução do gelo marinho no Ártico e na Antártida.

No Brasil, dados observacionais oficiais complementam e reforçam esse quadro de aquecimento: segundo análise do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o ano de 2025 foi o sétimo mais quente da série histórica brasileira (1961–2025), com temperatura média anual de 24,56 °C, 0,33 °C acima da média climatológica. Essa posição histórica ressalta que, mesmo com variações regionais, o Brasil tem experimentado anos consistentemente mais quentes nas últimas décadas. 

A tendência de aquecimento no território nacional é consistente com as projeções climáticas globais observadas no relatório do Copernicus, que apresentam um planeta em rápida transformação térmica e contribuem para aumento de extremos climáticos, como ondas de calor persistentes e eventos hidrometeorológicos intensos.

 

Destaques para o Brasil e o Cerrado

 

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No contexto do Cerrado brasileiro, do Centro-Oeste e de Goiás, as implicações desses dados são particularmente significativas. A região já é quente e sofre com variações acentuadas de temperatura e precipitação, que impactam diretamente a biodiversidade, os ciclos hidrológicos e os sistemas agrícolas. O aumento das temperaturas médias e a maior frequência de eventos extremos limitam a disponibilidade de água, elevam o estresse térmico para plantas e animais, e aumentam a demanda por políticas de adaptação e mitigação climática.

Como se observa nos mapas, embora em 2025, no geral, a América do Sul e o Cerrado tenham apresentado temperaturas mais convergentes com as médias históricas, 2023 e 2024 foram anos de temperaturas acima dessas médias.

Estudos indicam que o aquecimento constante favorece também a intensificação de secas prolongadas e ondas de calor mais severas no Centro-Oeste, com efeitos diretos sobre a produtividade agrícola e sobre os recursos hídricos que sustentam cidades como Goiânia, áreas agrícolas e ecossistemas do Cerrado. A elevação das temperaturas médias contribui para deslocamentos de padrões de chuva e pode agravar a variabilidade climática, com consequências socioambientais relevantes.

 

CEMPA-Cerrado e a importância do monitoramento climático

O relatório do Copernicus e os dados do INMET reafirmam a importância de centros de estudos climáticos como o CEMPA-Cerrado na produção de conhecimento qualificado sobre o clima. Monitorar tendências climáticas regionais e globais é essencial para orientar políticas públicas, estratégias de adaptação e mitigação, além de subsidiar a sociedade com ciência robusta para enfrentar desafios ambientais atuais.

A atuação do CEMPA-Cerrado, em parceria com outras instituições públicas, fortalece a capacidade de compreensão dos impactos climáticos no bioma Cerrado e no contexto do Centro-Oeste brasileiro. Essa integração de dados climáticos internacionais e nacionais facilita ações mais eficazes para reduzir vulnerabilidades socioecológicas e promover resiliência climática em escala local, regional e nacional.

O relatório Global Climate Highlights 2025 e as análises do INMET destacam que a ciência climática é ferramenta fundamental para compreender e responder às mudanças em curso, ressaltando que os impactos observados no Brasil e no mundo exigem respostas urgentes e coordenadas.

 

Categorias: Clima cerrado ECMWF Copernicus Temperatura