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Cempa-Cerrado recebe liderança angolana para articular cooperação técnica e científica na área de meteorologia

João Maria de Sousa Afonso, diretor-geral do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica de Angola, conheceu produtos e pesquisas do CEMPA-Cerrado durante dois dias de agenda em Goiânia, com foco em cooperação técnica entre países com savanas tropicais

 

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João Maria de Sousa Afonso, diretor-geral do INAMET de Angola, em reunião com o prof. Manuel Eduardo Ferreira, diretor-executivo do CEMPA-Cerrado, e o prof. Angel Domínguez Chovert, meteorologista do CEMPA-Cerrado.

O CEMPA-Cerrado recebeu, nos dias 20 e 21 de agosto, a visita de João Maria de Sousa Afonso, diretor-geral do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica de Angola (INAMET). A vinda ao Brasil teve três objetivos centrais: promover o conhecimento mútuo entre as duas instituições, apresentar os produtos e soluções desenvolvidos pelo CEMPA-Cerrado e pelo INAMET, e prospectar possibilidades concretas de parceria técnico-científica.

A aproximação entre as duas instituições parte de uma constatação simples, mas estratégica: Angola e o Cerrado brasileiro compartilham o desafio de monitorar e prever o comportamento climático de ecossistemas de savana tropical, biomas marcados por estações secas e chuvosas bem definidas, forte sazonalidade hídrica e vulnerabilidade a queimadas. Essa semelhança ambiental abre espaço para o intercâmbio de metodologias de modelagem climática, monitoramento de qualidade do ar, previsão sazonal e gestão de risco de incêndios florestais, áreas em que o CEMPA-Cerrado já acumula experiência a partir do bioma Cerrado.

O que é o INAMET

O Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica é o órgão público responsável pelas atividades de meteorologia, geofísica, sismologia e oceanografia em Angola. Entre suas atribuições estão a previsão do tempo e clima, o monitoramento climatológico, os boletins agrometeorológicos, os avisos para a aviação e a vigilância sísmica em todo o território angolano. Segundo o próprio instituto, sua missão é contribuir para a proteção de vidas e bens e apoiar o desenvolvimento sustentável do país por meio de informação meteorológica e geofísica confiável — um propósito institucional próximo ao do CEMPA-Cerrado, ainda que em contextos geográficos e políticos distintos.

Dois dias de agenda entre laboratórios e diretorias

A visita começou no dia 20/8 com um roteiro dedicado ao conhecimento da estrutura científica da Universidade Federal de Goiás (UFG). Pela manhã, a comitiva conheceu o Campus Samambaia e visitou o Lapig (Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento), um dos parceiros históricos do monitoramento ambiental no Cerrado. Em seguida, a delegação foi recebida no Instituto de Física da UFG (IF/UFG), em conversa com a diretoria da unidade e apresentação de suas dependências.

À tarde, ainda no dia 20, ocorreu o lançamento oficial de novos produtos de qualidade do ar do CEMPA-Cerrado, com a participação da vice-reitora da UFG, Camila Caixeta, e de representantes da FAPEG, da SECTI, do IF, do IESA, do INMET, do CEAGRE e do LaMCAD. A programação do dia se encerrou com uma visita às obras da futura sede do CEMPA-Cerrado e do LaMCAD no Parque Tecnológico da UFG.

 

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João Maria de Sousa Afonso, diretor-geral do INAMET de Angola em visita ao LAPIG, o Laboratório de Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento da UFG.

O segundo dia, 21, começou com uma visita à Superintendência Federal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento em Goiás onde também estão os representantes do INMET, o Instituto Nacional de Meteorologia do Brasil, seguida de uma reunião institucional dedicada a discutir possibilidades de acordos de colaboração e a Chamada ProÁfrica 2026. Nesse encontro, João Maria Afonso apresentou o INAMET, enquanto a equipe do CEMPA-Cerrado apresentou seus produtos e o portal do centro. 

 

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João Maria de Sousa Afonso e representantes do CEMPA-Cerrado e o INMET

Após o almoço, a comitiva visitou o LaMCAD (Laboratório Multiusuário de Computação de Alto Desempenho), guiada pelo técnico Victor Junior. A agenda foi encerrada com uma reunião entre o Comitê Gestor do CEMPA-Cerrado e representantes da UFG para analisar a prospecção de futuras parcerias, com a participação do diretor executivo do CEMPA-Cerrado, Prof. Manuel Eduardo Ferreira. O encontro discutiu a possibilidade de um acordo de intenções de colaboração entre o CEMPA-Cerrado e o INAMET.

 

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Visita ao LaMCAD/UFG

Avaliação

Para o diretor do INAMET, João Maria Afonso, a visita deixou claro "o grande potencial de cooperação entre as duas instituições, que já terá início com a formatação de projetos de pesquisa conjuntos e potencialmente com a formação de profissionais do INAMET na UFG e no CEMPA-Cerrado, inclusive em nível de mestrado e doutorado, o que suprirá uma de nossas grandes carências que ainda persistem, apesar dos importantes investimentos feitos pelo Governo de Angola no Instituto".

Angel Chovert, meteorologista do CEMPA, por sua vez, ressaltou que "o CEMPA-Cerrado também tem muito a aprender com a experiência do INAMET e que a colaboração certamente contribuirá para que o Centro se consolide como referência em conhecimento ambiental sobre o Cerrado e as savanas de modo geral".

Perspectivas

A visita é vista pela direção do CEMPA-Cerrado como um primeiro passo para uma cooperação mais estruturada entre as duas instituições. Entre os próximos desdobramentos possíveis estão a formalização de um acordo de intenções de colaboração entre o CEMPA-Cerrado e o INAMET, e a articulação de projetos conjuntos por meio da Chamada ProÁfrica 2026, iniciativa de fomento à cooperação científica entre Brasil e países africanos discutida durante a visita.

Ao aproximar dois centros técnicos responsáveis por monitorar savanas tropicais em continentes diferentes, o encontro reforça o papel do CEMPA-Cerrado não apenas como referência regional em monitoramento e previsão ambiental do Cerrado, mas como interlocutor de projeção internacional na ciência climática de biomas savânicos.

Categorias: Cooperação internacional Angola