CEMPA- Cerrado contribui para nota técnica nacional sobre impactos do El Niño 2026–2027 na saúde
Documento da Associação Brasileira de Enfermagem tem participação de pesquisador do Centro na elaboração de cenários climáticos regionais

(Imagem gerada por IA)
A Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) divulgou, em 17 de setembro, a Nota Técnica nº 2/2026, dedicada aos impactos do El Niño 2026–2027 sobre a saúde da população brasileira. O documento, elaborado por um grupo de trabalho da Diretoria Nacional de Educação da entidade, reúne orientações de prevenção, preparação e cuidado voltadas a profissionais de enfermagem, gestores de saúde e à população em geral. Entre os autores está o engenheiro agrônomo Daniel Amorim Alves Borges, integrante do CEMPA-Cerrado/UFG, que contribuiu com a caracterização climática do fenômeno.
Um El Niño de forte intensidade em curso
A nota técnica sintetiza o quadro mais recente sobre o fenômeno: segundo o monitoramento internacional (NOAA/CPC e Organização Meteorológica Mundial) e nacional (INPE, INMET, Funceme e Cemaden), o El Niño 2026–2027 segue em processo de fortalecimento, com probabilidade superior a 90% de atingir forte intensidade entre a primavera e o verão. As instituições especializadas projetam anomalias na temperatura da superfície do mar do Pacífico Equatorial acima de +2°C, com possibilidade de persistência do fenômeno até o início de 2027. O documento reforça, no entanto, que esses cenários são probabilísticos — indicam condições de risco, não eventos garantidos — e que seus efeitos variam conforme a região, a infraestrutura local e as vulnerabilidades sociais de cada território.
Saúde como fio condutor
Diferentemente de boletins meteorológicos convencionais, a nota da ABEn parte da pergunta "o que isso significa para quem cuida e para quem é cuidado". O documento mapeia, região por região do Brasil, os riscos à saúde associados às mudanças esperadas de temperatura e chuva — de calor extremo e desidratação no Centro-Oeste e Nordeste a enchentes e leptospirose no Sul, passando por queimadas, insegurança hídrica no Norte e alterações no ciclo do Aedes aegypti. O texto também dedica atenção a efeitos menos discutidos, como a saúde mental diante de perdas ambientais — ecoansiedade, solastalgia e luto ecológico —, a segurança alimentar e nutricional e o papel das desigualdades raciais e sociais na distribuição desses riscos entre populações indígenas, quilombolas, ribeirinhas e periféricas.
A contribuição do CEMPA
A participação de Daniel Amorim Alves Borges na equipe de elaboração ilustra um tipo de contribuição que caracteriza o trabalho do CEMPA-Cerrado: fornecer a infraestrutura científica — dados climatológicos, monitoramento e interpretação meteorológica — que permite a outras áreas do conhecimento, como a enfermagem e a saúde coletiva, transformar cenários climáticos em orientação de cuidado concreta. É esse tipo de interface entre ciência do clima e políticas públicas que o Centro busca consolidar nas suas parcerias interinstitucionais.
Papel da enfermagem e próximos passos
A nota técnica situa a enfermagem como força estratégica na resposta ao El Niño, amparada pela Resolução Cofen nº 736/2024 e pelas novas Diretrizes Curriculares Nacionais de 2026, que reforçam a integração entre ensino, serviço e comunidade. A ABEn defende que a resposta ao fenômeno esteja integrada às ações do SUS, orientada por equidade, integralidade e atenção às populações mais vulneráveis, reafirmando que o acompanhamento territorial contínuo, e não a previsão isolada de eventos, é o que sustenta uma resposta eficaz aos riscos climáticos.
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