Último dia de março marcado pelo impacto de tempestade severa sobre Goiânia
Tempestade rápida e intensa atingiu Goiânia na tarde de 31 de março, associada à influência de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN), com chuva forte, raios e granizo, já previstos pelos modelos meteorológicos .
Imagem do Satélite GOES19, canal infravermelho, mostrando o início da atividade convectiva que formou a tempestade da tarde de 31 de março em Goiânia.
A tarde desta terça-feira, 31 de março de 2026, trouxe chuva rápida, mas bastante intensa para Goiânia. Raios, chuva forte e até granizo pontual marcaram o fim do mês, com acumulado de mais de 50mm de precipitação no centro da cidade de Goiânia e 163 descargas atmosféricas registradas na Região Metropolitana, e tudo isso tem explicação na dinâmica da atmosfera sobre o Brasil Central nesta época do ano.
O que causou a tempestade?
O principal responsável foi um sistema meteorológico chamado Vórtice Ciclônico de Altos Níveis — o VCAN. Pense nele como uma grande redemoinho de ar que gira em altitude, a cerca de 10 km acima do solo, bem acima das nuvens comuns. Seu centro estava posicionado mais ao sul do país, mas sua borda alcançou Goiás, e é justamente nessa borda que o tempo fica mais perigoso.
Isso acontece porque a circulação do vórtice em altitude provoca movimento ascendente do ar nas suas bordas: ela puxa o ar úmido da superfície para cima, criando as condições perfeitas para o desenvolvimento de tempestades. Com o calor intenso e a grande quantidade de umidade que o vento traz desde a Amazônia nesta época do ano, o ingrediente que faltava era justamente esse empurrão vindo de cima.
Como a tempestade se formou?
Por volta das 14h30, quem olhou para o céu de Goiânia já podia perceber sinais do que estava por vir: nuvens que cresciam rapidamente em altura, com topos em forma de couve-flor, chamadas pelos meteorologistas de "Towering Cumulus". Em menos de 20 minutos, essas nuvens se organizaram em um sistema mais intenso, e a chuva forte chegou junto com raios e registros pontuais de granizo.
A cidade em si também contribuiu: o calor acumulado pelo asfalto e pelas edificações da mancha urbana de Goiânia aquece ainda mais o ar próximo ao solo, dando energia extra para que as nuvens cresçam com mais força e velocidade.
A previsão acertou?
Sim. Desde o início do dia, os modelos meteorológicos do CEMPA-Cerrado já apontavam risco de chuva e tempestade para a tarde na região metropolitana. A Defesa Civil emitiu alertas preventivos, reforçando a atenção da população para possíveis impactos.
O evento é um bom lembrete de que, no fim da estação chuvosa, a atmosfera ainda guarda surpresas, e que o monitoramento contínuo é essencial para antecipar e minimizar seus efeitos sobre a cidade.
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